Parabéns para mim, nessa data querida....
Nenhum de vocês se importa certo?
Caraca, só dois comentários no ultimo capitulo?? Vocês não gostaram???
Poxa! Falem algo, por favor!
Já cansei de dizer como a opinião de vocês é importante pra mim.
#SadGabs
16/02/2014
11/02/2014
Capitulo 3
AS PORTAS DE MINHA SACADA ESTAVAM ABERTAS, assim como a porta que dava para o corredor, de modo que meu quarto se enchia da brisa que vinha dos jardins. Eu queria que aquele vento suave fosse um consolo para o monte de trabalho que eu tinha a fazer, mas, em vez disso, ele foi uma distração, porque me deixou louca de vontade de estar em qualquer outro lugar que não fosse na frente da escrivaninha.
Suspirei e me larguei na cadeira, jogando a cabeça para trás.
— Anne — chamei.
— Sim, senhorita? — respondeu a chefe das criadas, que costurava no canto do quarto. Eu não precisava olhar para saber que Mary e Lucy, minhas duas outras criadas, ficaram a postos, para poderem me atender também.
— Ordeno que descubra o significado deste relatório — disse eu, estendendo preguiçosamente o braço na direção daquelas estatísticas militares sobre a mesa.
Era um teste para todas as meninas da Elite, mas eu não conseguia me concentrar. As três criadas riram, provavelmente tanto por causa da minha ordem ridícula quanto pelo fato de eu ter finalmente ordenado algo. A liderança realmente não era um dos meus pontos fortes.
— Sinto muito, senhorita, mas penso que isso ultrapassa meus limites — respondeu Anne. Apesar de meu pedido ter sido de brincadeira, assim como a resposta dela, notei um verdadeiro tom de desculpas em sua voz.
— O.k. — lamentei, endireitando-me.
— Terei mesmo que fazer isso sozinha. Vocês são um bando de inúteis. Amanhã pedirei novas criadas. Desta vez é sério.
Todas caíram na gargalhada mais uma vez, e eu voltei a focar nos números. Comecei a desconfiar de que aquele relatório era falso, mas não tinha certeza. Reli os parágrafos e tabelas franzindo a testa e mordendo a tampa da caneta enquanto tentava me concentrar. Ouvi Lucy rir baixo e levantei os olhos para ver o que a divertia. Segui seu olhar até a porta: lá estava Joseph, encostado no batente.
— Você me entregou! — ele reclamou com Lucy, que ainda ria.
Afastei a cadeira com pressa e corri para os braços dele.
— Você leu meus pensamentos!
— Li?
— Por favor, diga que podemos ir lá fora. Só um pouquinho?
Joseph sorriu.
— Tenho vinte minutos e depois tenho que voltar.
O arrastei pelo corredor. O matraquear empolgado das criadas desaparecia atrás de nós. Não havia como negar que os jardins tinham se tornado o nosso cantinho. Íamos para lá quase sempre que podíamos estar a sós; tão diferente da maneira como Nicholas e eu costumávamos passar o tempo juntos: entocados na
minúscula casa da árvore no meu quintal dos fundos, o único lugar em que estávamos seguros. De repente, comecei a imaginar se Nicholas estava por ali, entre os muitos guardas do palácio, observando Joseph segurar minha mão.
— O que é isso? — perguntou o príncipe, acariciando as pontas dos meus dedos enquanto caminhávamos.
— Calos. São de apertar as cordas do violino todos os dias durante quatro horas.
— Nunca tinha reparado nisso.
— Eles são um problema para você?
Dentre as seis garotas restantes, eu era a de casta mais baixa e duvidava que qualquer uma das outras tivesse mãos como as minhas. Joseph parou e levou minha mão até sua boca para beijar as pontas pequenas e ásperas dos meus dedos.
— Pelo contrário. Acho bonito.
Senti minhas bochechas corarem. Ele continuou:
— Eu vi muito pelo mundo. Admito: quase sempre por trás de um vidro à prova de balas ou da torre de algum castelo antigo. Mas vi. E tenho à disposição a resposta para milhares de perguntas. Mas esta mãozinha aqui? — ele olhou fundo nos meus olhos. — Esta mão produz sons que não se
comparam a nada que eu já tenha ouvido. Às vezes, penso que a visão de você tocando violino foi apenas um sonho. Aquilo foi tão lindo. E os calos são a prova de que foi real.
Havia momentos em que ele falava comigo de uma maneira impressionante, romântica demais para acreditar. E apesar de eu guardar aquelas palavras no meu coração, nunca tinha certeza se podia confiar plenamente nelas. Como saber que ele não dizia o mesmo para as outras? Era hora de eu mudar de assunto.
— Você tem respostas para milhares de perguntas, mesmo?
— Com certeza. Me pergunte sobre qualquer coisa. Se eu não souber a resposta, saberei onde encontrar.
— Qualquer coisa?
— Qualquer coisa.
Era difícil tirar uma pergunta do nada, ainda mais uma para deixá-lo pasmo, que era a minha intenção. Pensei por uns instantes nas coisas que me deixavam mais curiosa na infância: por que os aviões voavam, como eram os Estados Unidos, como funcionavam os aparelhos de som que as pessoas das castas superiores tinham.
E então veio a luz:
— O que é “Halloween”? — perguntei.
— Halloween?
Ele claramente nunca tinha ouvido falar disso. Não fiquei surpresa. Só vi a palavra uma vez em um livro de história velho dos meus pais. Algumas páginas daquele livro estavam ilegíveis de tão gastas, e muitas delas rasgadas ou arrancadas. Ainda assim, sempre me fascinou aquele feriado sobre o qual nada sabíamos.
— Vossa Esperteza Real não parece tão seguro de si agora... — provoquei. Ele me olhou com uma cara feia, mas estava claro que apenas fingia um incômodo. Ele checou as horas e respirou fundo.
— Me acompanhe. Temos que nos apressar — disse ele antes de agarrar meu braço e começar a correr.
Tropecei um pouco nos saltinhos do sapato, mas não fiz feio e mantive a passada enquanto Joseph me levava de volta ao palácio com um sorriso de orelha a orelha. Eu adorava quando ele liberava seu lado mais descontraído; muitas vezes, ele era sério demais.
— Cavalheiros — saudou ao passarmos pela porta onde estavam os guardas.
Consegui chegar até a metade da sala, e então meus sapatos me venceram.
— Joseph, pare! — arfei. — Eu não aguento mais!
— Vamos, vamos! Você vai adorar — ele replicou e puxou meu braço quando eu diminuí o ritmo.
Ele acabou desacelerando um pouco para me acompanhar, mas era claro que estava louco para ir mais rápido. Seguimos em direção ao corredor norte, próximo da área onde filmavam o Jornal Oficial de Illéa, mas nos embrenhamos por uma escadaria antes de chegarmos até lá. Subimos e subimos, e eu já não conseguia conter minha curiosidade.
— Aonde vamos exatamente? Joseph me encarou, seu rosto de repente ficou sério.
— Você precisa jurar que nunca vai mostrar este quartinho a ninguém. Apenas alguns membros da família e um punhado de guardas sabem que ele existe.
Eu estava mais do que intrigada.
— Juro.
Chegamos ao topo da escadaria. Joseph abriu a porta para mim, pegou minha mão e me conduziu pelo corredor até pararmos em frente a uma parede quase totalmente coberta com pinturas magníficas. O príncipe olhou para trás, para se certificar de que ninguém estava lá. Em seguida, passou a mão pela moldura do último quadro. Ouvi um clique e o quadro se abriu diante de nossos olhos.
Meu queixo caiu. Joseph sorria. Por trás da pintura havia uma porta um pouco acima do nível do chão que possuía um pequeno teclado numérico, como o de um telefone. Joseph digitou uns números e ouvimos um leve bip. O príncipe girou a maçaneta e olhou para mim.
— Vou ajudá-la. O degrau é bem alto.
Ele me deu a mão e fez um gesto para que eu entrasse primeiro. Fiquei chocada. A sala sem janelas estava repleta de estantes carregadas com o que pareciam ser livros antigos. Duas delas continham livros com uma fita vermelha na lombada. Também vi um atlas gigantesco recostado contra uma das paredes, aberto em uma página com o desenho de um país cujo nome eu não sabia. Sobre uma mesa no meio da sala, havia um punhado de livros que pareciam ter sido manuseados fazia pouco tempo e que ali permaneciam para facilitar uma consulta rápida. Por fim, uma tela grande que parecia ser um televisor estava embutida na parede.
— O que significam as fitas vermelhas?
— São os livros proibidos. Pelo que sabemos, são as únicas cópias remanescentes em toda Illéa.
Virei-me para ele, indagando com os olhos o que não tinha coragem de pedir em voz alta.
— Sim, você pode olhá-los — falou Joseph com um tom de voz que sugeria certo incômodo, mas ao mesmo tempo com uma expressão de quem esperava por esse pedido.
Puxei com cuidado um dos livros, com medo de destruir sem querer aquele tesouro. Folheei as páginas, mas me afastei quase na mesma hora. Estava simplesmente impressionada demais. Dei meia-volta e deparei com Joseph digitando em uma espécie de máquina de escrever ligada a uma tela de TV.
— O que é isso? — perguntei.
— Um computador. Você nunca viu?
Fiz que não com a cabeça e Joseph continuou, sem parecer surpreso:
— São poucos os que têm um desses hoje em dia. Este aqui serve exclusivamente para a informação contida nesta sala. Se existir algo sobre o Halloween, ele vai nos dizer onde encontrar.
Eu não entendia muito bem suas palavras, mas não pedi para explicar melhor. Em poucos segundos, sua caça apresentou uma lista com três tópicos na tela.
— Ah, ótimo! — exclamou. — Espere bem aqui.
Permaneci ao lado da mesa enquanto Joseph pegava os três livros que revelariam o que era o Halloween. Eu esperava que não fosse uma coisa idiota e que eu não lhe tivesse dado tanto trabalho por nada. O primeiro livro definia o Halloween como uma festa celta para marcar o fim do verão. Para não nos atrasar, nem me preocupei em mencionar que não fazia ideia do que era um celta. O livro dizia que eles acreditavam que os espíritos entravam e saíam do mundo no Halloween, e as pessoas usavam máscaras para afastar os espíritos maus. Mais tarde, ele teria se transformado num feriado laico, mais voltado para as crianças. Elas vestiam fantasias e circulavam pela cidade cantando a fim de ganhar doces. Daí surgiu a frase “gostosuras ou travessuras”, já que se não ganhassem gostosuras pregariam uma peça no dono da casa. A definição do segundo livro era similar, só que mencionava abóboras e cristianismo.
— Este vai ser o mais interessante — afirmou Joseph, folheando um livro manuscrito muito mais fino que os outros.
— E por quê? — perguntei, enquanto mudava de lado para ver melhor.
— Isto, senhorita Demetria, é um dos volumes do diário pessoal de Gregory Illéa.
— O quê?! — exclamei. — Posso tocá-lo?
— Antes, deixe-me encontrar a página que buscamos. Veja, tem até uma foto!
Ali, como uma aparição, uma imagem de um passado desconhecido mostrava Gregory Illéa com uma expressão fechada, de paletó engomado e ar imponente. Era estranho o quanto eu podia notar do rei e de Joseph na maneira como ele se portava. Ao seu lado, uma mulher sorria desanimada para a câmera. Algo em seu rosto sugeria que, no passado, ela fora uma pessoa encantadora, mas o desejo de viver tinha abandonado seus olhos. Ela parecia cansada. Ao redor do casal havia três pessoas. A primeira era uma adolescente, linda e vibrante, com um sorriso rasgado, uma coroa e um vestido de pregas. Que engraçado! Estava vestida como uma princesa. As outras duas pessoas eram garotos, o primeiro um pouco mais alto que o segundo e ambos fantasiados de personagens que não reconheci. Pareciam a ponto de aprontar alguma. Sob a imagem, havia um registro que — por incrível que pareça — saíra do próprio punho de Gregory Illéa.
— Você acha que é por isso que não comemoramos mais? Por ser um desperdício? — perguntei.
— Pode ser. Se a data servir de pista, esse relato foi feito logo depois que o Estado Americano da China começou a contra-atacar, um pouco antes da Quarta Guerra Mundial. Na época, a maioria das pessoas não tinha nada. Imagine uma nação inteira de Setes com um ou outro Dois.
— Uau.
Tentei imaginar o panorama de nosso país assim, despedaçado pela guerra, lutando para juntar os pedaços. Incrível.
— Quantos diários como este ainda existem?
Joseph apontou para uma prateleira com uma fileira de cadernos parecidos com o que tínhamos em mãos.
— Mais ou menos uma dúzia.
Eu não conseguia acreditar! Toda aquela história em apenas uma sala.
— Obrigada — disse eu. — Isto aqui é algo que nunca sequer sonhei em ver. Não dá para acreditar que tudo isso é real.
Joseph estava radiante.
— Você gostaria de ler o resto? — ele perguntou, olhando para o diário.
— Sim, claro! — praticamente gritei. Só que me lembrei de meus deveres. — Mas não posso ficar aqui. Preciso terminar de estudar aquele relatório terrível. E você precisa voltar ao trabalho.
— Verdade. Bem, e que tal isto? Você pode levar o livro e ficar com ele por uns dias.
— Tenho autorização para fazer isso? — perguntei, maravilhada.
— Não — replicou Joseph com um sorriso.
Hesitei, com medo do que tinha em mãos. E se eu o perdesse? E se o estragasse? Com certeza, Joseph pensava o mesmo. Mas eu nunca teria outra chance como essa. Eu podia ser cuidadosa o bastante com um presente tão grande como aquele.
— Tudo bem. Apenas por uma ou duas noites. Depois devolvo direitinho.
— Esconda bem.
Foi o que fiz. Aquilo era mais que um livro; era a confiança de Joseph. Meti-o dentro da banqueta do piano, debaixo de uma pilha de partituras — era um lugar que as criadas nunca limpavam. As únicas mãos a tocá-lo seriam as minhas.
Suspirei e me larguei na cadeira, jogando a cabeça para trás.
— Anne — chamei.
— Sim, senhorita? — respondeu a chefe das criadas, que costurava no canto do quarto. Eu não precisava olhar para saber que Mary e Lucy, minhas duas outras criadas, ficaram a postos, para poderem me atender também.
— Ordeno que descubra o significado deste relatório — disse eu, estendendo preguiçosamente o braço na direção daquelas estatísticas militares sobre a mesa.
Era um teste para todas as meninas da Elite, mas eu não conseguia me concentrar. As três criadas riram, provavelmente tanto por causa da minha ordem ridícula quanto pelo fato de eu ter finalmente ordenado algo. A liderança realmente não era um dos meus pontos fortes.
— Sinto muito, senhorita, mas penso que isso ultrapassa meus limites — respondeu Anne. Apesar de meu pedido ter sido de brincadeira, assim como a resposta dela, notei um verdadeiro tom de desculpas em sua voz.
— O.k. — lamentei, endireitando-me.
— Terei mesmo que fazer isso sozinha. Vocês são um bando de inúteis. Amanhã pedirei novas criadas. Desta vez é sério.
Todas caíram na gargalhada mais uma vez, e eu voltei a focar nos números. Comecei a desconfiar de que aquele relatório era falso, mas não tinha certeza. Reli os parágrafos e tabelas franzindo a testa e mordendo a tampa da caneta enquanto tentava me concentrar. Ouvi Lucy rir baixo e levantei os olhos para ver o que a divertia. Segui seu olhar até a porta: lá estava Joseph, encostado no batente.
— Você me entregou! — ele reclamou com Lucy, que ainda ria.
Afastei a cadeira com pressa e corri para os braços dele.
— Você leu meus pensamentos!
— Li?
— Por favor, diga que podemos ir lá fora. Só um pouquinho?
Joseph sorriu.
— Tenho vinte minutos e depois tenho que voltar.
O arrastei pelo corredor. O matraquear empolgado das criadas desaparecia atrás de nós. Não havia como negar que os jardins tinham se tornado o nosso cantinho. Íamos para lá quase sempre que podíamos estar a sós; tão diferente da maneira como Nicholas e eu costumávamos passar o tempo juntos: entocados na
minúscula casa da árvore no meu quintal dos fundos, o único lugar em que estávamos seguros. De repente, comecei a imaginar se Nicholas estava por ali, entre os muitos guardas do palácio, observando Joseph segurar minha mão.
— O que é isso? — perguntou o príncipe, acariciando as pontas dos meus dedos enquanto caminhávamos.
— Calos. São de apertar as cordas do violino todos os dias durante quatro horas.
— Nunca tinha reparado nisso.
— Eles são um problema para você?
Dentre as seis garotas restantes, eu era a de casta mais baixa e duvidava que qualquer uma das outras tivesse mãos como as minhas. Joseph parou e levou minha mão até sua boca para beijar as pontas pequenas e ásperas dos meus dedos.
— Pelo contrário. Acho bonito.
Senti minhas bochechas corarem. Ele continuou:
— Eu vi muito pelo mundo. Admito: quase sempre por trás de um vidro à prova de balas ou da torre de algum castelo antigo. Mas vi. E tenho à disposição a resposta para milhares de perguntas. Mas esta mãozinha aqui? — ele olhou fundo nos meus olhos. — Esta mão produz sons que não se
comparam a nada que eu já tenha ouvido. Às vezes, penso que a visão de você tocando violino foi apenas um sonho. Aquilo foi tão lindo. E os calos são a prova de que foi real.
Havia momentos em que ele falava comigo de uma maneira impressionante, romântica demais para acreditar. E apesar de eu guardar aquelas palavras no meu coração, nunca tinha certeza se podia confiar plenamente nelas. Como saber que ele não dizia o mesmo para as outras? Era hora de eu mudar de assunto.
— Você tem respostas para milhares de perguntas, mesmo?
— Com certeza. Me pergunte sobre qualquer coisa. Se eu não souber a resposta, saberei onde encontrar.
— Qualquer coisa?
— Qualquer coisa.
Era difícil tirar uma pergunta do nada, ainda mais uma para deixá-lo pasmo, que era a minha intenção. Pensei por uns instantes nas coisas que me deixavam mais curiosa na infância: por que os aviões voavam, como eram os Estados Unidos, como funcionavam os aparelhos de som que as pessoas das castas superiores tinham.
E então veio a luz:
— O que é “Halloween”? — perguntei.
— Halloween?
Ele claramente nunca tinha ouvido falar disso. Não fiquei surpresa. Só vi a palavra uma vez em um livro de história velho dos meus pais. Algumas páginas daquele livro estavam ilegíveis de tão gastas, e muitas delas rasgadas ou arrancadas. Ainda assim, sempre me fascinou aquele feriado sobre o qual nada sabíamos.
— Vossa Esperteza Real não parece tão seguro de si agora... — provoquei. Ele me olhou com uma cara feia, mas estava claro que apenas fingia um incômodo. Ele checou as horas e respirou fundo.
— Me acompanhe. Temos que nos apressar — disse ele antes de agarrar meu braço e começar a correr.
Tropecei um pouco nos saltinhos do sapato, mas não fiz feio e mantive a passada enquanto Joseph me levava de volta ao palácio com um sorriso de orelha a orelha. Eu adorava quando ele liberava seu lado mais descontraído; muitas vezes, ele era sério demais.
— Cavalheiros — saudou ao passarmos pela porta onde estavam os guardas.
Consegui chegar até a metade da sala, e então meus sapatos me venceram.
— Joseph, pare! — arfei. — Eu não aguento mais!
— Vamos, vamos! Você vai adorar — ele replicou e puxou meu braço quando eu diminuí o ritmo.
Ele acabou desacelerando um pouco para me acompanhar, mas era claro que estava louco para ir mais rápido. Seguimos em direção ao corredor norte, próximo da área onde filmavam o Jornal Oficial de Illéa, mas nos embrenhamos por uma escadaria antes de chegarmos até lá. Subimos e subimos, e eu já não conseguia conter minha curiosidade.
— Aonde vamos exatamente? Joseph me encarou, seu rosto de repente ficou sério.
— Você precisa jurar que nunca vai mostrar este quartinho a ninguém. Apenas alguns membros da família e um punhado de guardas sabem que ele existe.
Eu estava mais do que intrigada.
— Juro.
Chegamos ao topo da escadaria. Joseph abriu a porta para mim, pegou minha mão e me conduziu pelo corredor até pararmos em frente a uma parede quase totalmente coberta com pinturas magníficas. O príncipe olhou para trás, para se certificar de que ninguém estava lá. Em seguida, passou a mão pela moldura do último quadro. Ouvi um clique e o quadro se abriu diante de nossos olhos.
Meu queixo caiu. Joseph sorria. Por trás da pintura havia uma porta um pouco acima do nível do chão que possuía um pequeno teclado numérico, como o de um telefone. Joseph digitou uns números e ouvimos um leve bip. O príncipe girou a maçaneta e olhou para mim.
— Vou ajudá-la. O degrau é bem alto.
Ele me deu a mão e fez um gesto para que eu entrasse primeiro. Fiquei chocada. A sala sem janelas estava repleta de estantes carregadas com o que pareciam ser livros antigos. Duas delas continham livros com uma fita vermelha na lombada. Também vi um atlas gigantesco recostado contra uma das paredes, aberto em uma página com o desenho de um país cujo nome eu não sabia. Sobre uma mesa no meio da sala, havia um punhado de livros que pareciam ter sido manuseados fazia pouco tempo e que ali permaneciam para facilitar uma consulta rápida. Por fim, uma tela grande que parecia ser um televisor estava embutida na parede.
— O que significam as fitas vermelhas?
— São os livros proibidos. Pelo que sabemos, são as únicas cópias remanescentes em toda Illéa.
Virei-me para ele, indagando com os olhos o que não tinha coragem de pedir em voz alta.
— Sim, você pode olhá-los — falou Joseph com um tom de voz que sugeria certo incômodo, mas ao mesmo tempo com uma expressão de quem esperava por esse pedido.
Puxei com cuidado um dos livros, com medo de destruir sem querer aquele tesouro. Folheei as páginas, mas me afastei quase na mesma hora. Estava simplesmente impressionada demais. Dei meia-volta e deparei com Joseph digitando em uma espécie de máquina de escrever ligada a uma tela de TV.
— O que é isso? — perguntei.
— Um computador. Você nunca viu?
Fiz que não com a cabeça e Joseph continuou, sem parecer surpreso:
— São poucos os que têm um desses hoje em dia. Este aqui serve exclusivamente para a informação contida nesta sala. Se existir algo sobre o Halloween, ele vai nos dizer onde encontrar.
Eu não entendia muito bem suas palavras, mas não pedi para explicar melhor. Em poucos segundos, sua caça apresentou uma lista com três tópicos na tela.
— Ah, ótimo! — exclamou. — Espere bem aqui.
Permaneci ao lado da mesa enquanto Joseph pegava os três livros que revelariam o que era o Halloween. Eu esperava que não fosse uma coisa idiota e que eu não lhe tivesse dado tanto trabalho por nada. O primeiro livro definia o Halloween como uma festa celta para marcar o fim do verão. Para não nos atrasar, nem me preocupei em mencionar que não fazia ideia do que era um celta. O livro dizia que eles acreditavam que os espíritos entravam e saíam do mundo no Halloween, e as pessoas usavam máscaras para afastar os espíritos maus. Mais tarde, ele teria se transformado num feriado laico, mais voltado para as crianças. Elas vestiam fantasias e circulavam pela cidade cantando a fim de ganhar doces. Daí surgiu a frase “gostosuras ou travessuras”, já que se não ganhassem gostosuras pregariam uma peça no dono da casa. A definição do segundo livro era similar, só que mencionava abóboras e cristianismo.
— Este vai ser o mais interessante — afirmou Joseph, folheando um livro manuscrito muito mais fino que os outros.
— E por quê? — perguntei, enquanto mudava de lado para ver melhor.
— Isto, senhorita Demetria, é um dos volumes do diário pessoal de Gregory Illéa.
— O quê?! — exclamei. — Posso tocá-lo?
— Antes, deixe-me encontrar a página que buscamos. Veja, tem até uma foto!
Ali, como uma aparição, uma imagem de um passado desconhecido mostrava Gregory Illéa com uma expressão fechada, de paletó engomado e ar imponente. Era estranho o quanto eu podia notar do rei e de Joseph na maneira como ele se portava. Ao seu lado, uma mulher sorria desanimada para a câmera. Algo em seu rosto sugeria que, no passado, ela fora uma pessoa encantadora, mas o desejo de viver tinha abandonado seus olhos. Ela parecia cansada. Ao redor do casal havia três pessoas. A primeira era uma adolescente, linda e vibrante, com um sorriso rasgado, uma coroa e um vestido de pregas. Que engraçado! Estava vestida como uma princesa. As outras duas pessoas eram garotos, o primeiro um pouco mais alto que o segundo e ambos fantasiados de personagens que não reconheci. Pareciam a ponto de aprontar alguma. Sob a imagem, havia um registro que — por incrível que pareça — saíra do próprio punho de Gregory Illéa.
"As crianças comemoraram o Halloween deste ano com uma festa. Imagino que seja uma maneira de esquecer o que se passa ao redor, mas me parece frívolo. Somos uma das poucas famílias remanescentes com dinheiro suficiente para festejar, mas essa brincadeira de criança me parece um desperdício."
— Você acha que é por isso que não comemoramos mais? Por ser um desperdício? — perguntei.
— Pode ser. Se a data servir de pista, esse relato foi feito logo depois que o Estado Americano da China começou a contra-atacar, um pouco antes da Quarta Guerra Mundial. Na época, a maioria das pessoas não tinha nada. Imagine uma nação inteira de Setes com um ou outro Dois.
— Uau.
Tentei imaginar o panorama de nosso país assim, despedaçado pela guerra, lutando para juntar os pedaços. Incrível.
— Quantos diários como este ainda existem?
Joseph apontou para uma prateleira com uma fileira de cadernos parecidos com o que tínhamos em mãos.
— Mais ou menos uma dúzia.
Eu não conseguia acreditar! Toda aquela história em apenas uma sala.
— Obrigada — disse eu. — Isto aqui é algo que nunca sequer sonhei em ver. Não dá para acreditar que tudo isso é real.
Joseph estava radiante.
— Você gostaria de ler o resto? — ele perguntou, olhando para o diário.
— Sim, claro! — praticamente gritei. Só que me lembrei de meus deveres. — Mas não posso ficar aqui. Preciso terminar de estudar aquele relatório terrível. E você precisa voltar ao trabalho.
— Verdade. Bem, e que tal isto? Você pode levar o livro e ficar com ele por uns dias.
— Tenho autorização para fazer isso? — perguntei, maravilhada.
— Não — replicou Joseph com um sorriso.
Hesitei, com medo do que tinha em mãos. E se eu o perdesse? E se o estragasse? Com certeza, Joseph pensava o mesmo. Mas eu nunca teria outra chance como essa. Eu podia ser cuidadosa o bastante com um presente tão grande como aquele.
— Tudo bem. Apenas por uma ou duas noites. Depois devolvo direitinho.
— Esconda bem.
Foi o que fiz. Aquilo era mais que um livro; era a confiança de Joseph. Meti-o dentro da banqueta do piano, debaixo de uma pilha de partituras — era um lugar que as criadas nunca limpavam. As únicas mãos a tocá-lo seriam as minhas.
08/02/2014
Grupo no Facebook para Sweethearts!
Hey, Sweethearts!
Eu criei um grupo no facebook para postar coisas relacionada a fanfic tais como spoilers, musicas que me lembrem a fic e várias outras coisas. Se alguém quiser entrar basta comentar seu face aqui, que então eu irei adicionar vocês!.
Ahhhhhh! Ia esquecendo. Terça- Feira. Capítulo 3. Capitulo com altos picos de fofuras. Resumindo. Joseph e Demetria juntos.
Eu criei um grupo no facebook para postar coisas relacionada a fanfic tais como spoilers, musicas que me lembrem a fic e várias outras coisas. Se alguém quiser entrar basta comentar seu face aqui, que então eu irei adicionar vocês!.
Ahhhhhh! Ia esquecendo. Terça- Feira. Capítulo 3. Capitulo com altos picos de fofuras. Resumindo. Joseph e Demetria juntos.
06/02/2014
Capitulo 2
— NÃO, NÃO — respondeu a rainha Denise, rindo. — Tive apenas três madrinhas apesar de a mãe de Paul ter sugerido que eu tivesse mais. Só queria minhas irmãs e minha melhor amiga, que, por acaso, eu conheci durante a Seleção.
Estiquei o pescoço para olhar para Miley e fiquei feliz de ver que ela também me olhava. Antes de chegar ao palácio, eu tinha para mim que em uma competição com um prêmio tão grande não haveria como alguma das meninas ser simpática. Miley me acolheu logo que nos conhecemos. Desde então, sempre estamos juntas. Nunca brigamos, a não ser aquelas nossas pequenas discussões.
Umas semanas atrás, Miley comentou que talvez não quisesse ficar com Joseph. Quando a pressionei para explicar melhor aquilo, ela se fechou totalmente. Não estava brava comigo — isso eu sabia —, mas aqueles dias de silêncio me deixaram bem solitária.
— Quero sete madrinhas — disse Selena. — Quer dizer, se Joseph me escolher e tiver um supercasamento.
— Bom, eu não quero madrinhas — replicou Blanda. — Elas só servem para desviar a atenção dos outros. E como tudo vai ser televisionado, quero todos os olhares voltados para mim.
Aquilo me subiu o sangue. Eram raras as vezes que conseguíamos conversar com a rainha Denise, e lá estava Blanda: a praga que arruinava o momento.
— Eu gostaria de incorporar algumas tradições da minha cultura ao casamento — acrescentou Elise, com a voz calma. — As garotas da Nova Ásia usam vermelho na cerimônia, e o noivo precisa levar presentes para os amigos da noiva como agradecimento por deixarem-na se casar com ele.
— Me lembre de ir no seu casamento. Adoro presentes! — soltou Selena.
— Eu também! — exclamou Miley.
— Senhorita Demetria, você está tão calada — disse a rainha Denise. — O que deseja para o seu casamento?
Eu estava completamente despreparada para responder, minhas bochechas coraram. Só tinha imaginado um tipo de casamento na minha vida, e ele aconteceria no Posto de Serviços da província da Carolina depois de uma sessão de burocracia.
— Bem, só pensei no momento em que meu pai me entrega ao noivo. Sabe quando ele toma sua mão e põe na mão do seu futuro marido? É a única parte por que eu sempre quis passar de verdade. — Por mais embaraçoso que aquilo pudesse parecer, era a verdade.
— Mas todo mundo faz isso — reclamou Blanda. — Não é nem original.
Deveria ter ficado com raiva depois dessa provocação, mas dei de ombros:
— Quero ter certeza de que meu pai aprova totalmente a minha escolha no único momento realmente importante da minha vida.
— Que bonito — comentou Natalie enquanto bebia chá e olhava pela janela.
A rainha Denise soltou uma leve risada:
— Tenho certeza de que aprovará. Não importa quem seja.
Essa última frase foi dita repentinamente, como se a rainha tivesse percebido no meio da fala a sua sugestão de que Joseph seria o escolhido. Fiquei pensando se ela achava isso, se Joseph contara a ela sobre nós. Logo depois, o assunto do casamento morreu, e a rainha nos deixou para ir trabalhar em seu quarto. Blanda estacionou em frente àquele televisor enorme e as outras garotas começaram a jogar cartas.
— Foi divertido — disse Miley, enquanto nos sentávamos à mesa. — Acho que nunca tinha visto a rainha falar tanto. — Ela está começando a se empolgar, acho. — Eu não tinha comentado com ninguém o que a irmã da rainha Denise me dissera sobre as muitas tentativas frustradas da rainha de ter outro filho. Adele tinha previsto que a irmã seria mais carinhosa conosco assim que o grupo diminuísse, e acertou. — O.k., você tem que me contar: você não tem mesmo nenhum outro plano para o seu casamento ou apenas não queria revelar?
— Não tenho mesmo — assegurei. — É difícil para mim planejar um casamento tão grande, sabe? Sou uma Cinco.
Miley balançou a cabeça.
— Você era uma Cinco. Agora é Três.
— Certo — concordei, lembrando do meu novo rótulo.
Nasci em uma família de Cincos — artistas e músicos que geralmente ganhavam mal — e, embora odiasse o sistema de castas, gostava do que fazia para ganhar a vida. Era estranho pensar em mim como uma Três, imaginar uma carreira de professora ou escritora.
— Chega de estresse — falou Miley, como se pudesse ler meus pensamentos. — Você não precisa se preocupar com isso ainda. Eu estava a ponto de contrariá-la, quando fui interrompida por um grito de Blanda.
— Vai! — berrou, batendo o controle remoto no sofá antes de apontá-lo para a TV de novo. — Argh!
— É impressão minha ou ela está piorando? — cochichei com Miley.
Observamos Blanda bater no controle remoto de novo e de novo até desistir e mudar de canal manualmente. Comecei a achar que, se eu tivesse nascido uma Dois, aí sim teria com que me preocupar.
— Acho que é estresse — Miley comentou. — Você notou como Natalie tem estado, sei lá... mais distante?
Fiz que sim com a cabeça, e olhamos para as três meninas jogando cartas. Selena sorria ao embaralhar as cartas, enquanto Natalie examinava as pontas de seu cabelo e de vez em quando arrancava um fio. Ela tinha um ar distraído.
— Acho que todas nós estamos sentindo isso — confessei. — Ficou mais difícil relaxar e curtir o palácio agora que o grupo é tão pequeno. Blanda resmungou algo e nos viramos para olhá-la, mas logo voltamos à posição inicial quando ela nos pegou espiando.
— Licença — disse Miley, mudando de lugar. — Acho que vou ao banheiro.
— Pensei na mesma coisa. Vamos juntas? — propus. Com um sorriso, ela balançou a cabeça para negar. — Vai na frente. Vou terminar o chá primeiro.
— Tudo bem. Já volto.
Saí do Salão das Mulheres, caminhando devagar por aquele corredor magnífico. Eu duvidava que algum dia chegaria a me acostumar com o espetáculo que era aquele castelo. Estava tão distraída que, ao dobrar uma esquina, trombei com um guarda.
— Ops! — exclamei.
— Perdão, senhorita. Espero não tê-la assustado.
Ele me segurou pelos cotovelos para que eu recuperasse o equilíbrio.
— Não — afirmei, rindo.
— Está tudo bem. Eu devia olhar melhor por onde ando. Obrigada por me segurar, soldado...
— Woodwork — completou, fazendo uma breve reverência com a cabeça.
— Eu sou Demetria.
— Eu sei.
Sorri e suspirei. É claro que ele sabia.
— Bom, espero que da próxima vez que nos trombarmos seja apenas no sentido figurado — brinquei.
— Positivo. Tenha um bom dia, senhorita — ele respondeu.
— Você também.
Voltei e contei a Miley sobre a minha trombada vergonhosa com o soldado Woodwork. Avisei a ela para olhar por onde anda. Ela soltou uma gargalhada. Passamos o resto da tarde sentadas perto das janelas, conversando sobre as nossas casas e as outras garotas e bebendo chá sob a luz do sol. Era triste pensar no futuro. Cedo ou tarde, a Seleção chegaria ao fim, e embora eu soubesse que Miley e eu continuaríamos próximas, sentiria falta de conversar com ela todos os dias. Ela foi a primeira amiga de verdade que fiz na vida e gostaria de tê-la sempre ao meu lado.
Enquanto eu tentava curtir aquele momento, Miley olhava pela janela com um ar sonhador. Tentei imaginar no que ela estaria pensando, mas estava tudo tão sereno que não quis perguntar.
Hello Sweethearts! Como estão?
Seis comentários no ultimo capitulo? Já falei como vocês são incriveis?
Perceberam que apareceu um personagem novo? O Soldado Woodwork? Duvido vocês adivinharem qual é o primeiro nome dele...
Estiquei o pescoço para olhar para Miley e fiquei feliz de ver que ela também me olhava. Antes de chegar ao palácio, eu tinha para mim que em uma competição com um prêmio tão grande não haveria como alguma das meninas ser simpática. Miley me acolheu logo que nos conhecemos. Desde então, sempre estamos juntas. Nunca brigamos, a não ser aquelas nossas pequenas discussões.
Umas semanas atrás, Miley comentou que talvez não quisesse ficar com Joseph. Quando a pressionei para explicar melhor aquilo, ela se fechou totalmente. Não estava brava comigo — isso eu sabia —, mas aqueles dias de silêncio me deixaram bem solitária.
— Quero sete madrinhas — disse Selena. — Quer dizer, se Joseph me escolher e tiver um supercasamento.
— Bom, eu não quero madrinhas — replicou Blanda. — Elas só servem para desviar a atenção dos outros. E como tudo vai ser televisionado, quero todos os olhares voltados para mim.
Aquilo me subiu o sangue. Eram raras as vezes que conseguíamos conversar com a rainha Denise, e lá estava Blanda: a praga que arruinava o momento.
— Eu gostaria de incorporar algumas tradições da minha cultura ao casamento — acrescentou Elise, com a voz calma. — As garotas da Nova Ásia usam vermelho na cerimônia, e o noivo precisa levar presentes para os amigos da noiva como agradecimento por deixarem-na se casar com ele.
— Me lembre de ir no seu casamento. Adoro presentes! — soltou Selena.
— Eu também! — exclamou Miley.
— Senhorita Demetria, você está tão calada — disse a rainha Denise. — O que deseja para o seu casamento?
Eu estava completamente despreparada para responder, minhas bochechas coraram. Só tinha imaginado um tipo de casamento na minha vida, e ele aconteceria no Posto de Serviços da província da Carolina depois de uma sessão de burocracia.
— Bem, só pensei no momento em que meu pai me entrega ao noivo. Sabe quando ele toma sua mão e põe na mão do seu futuro marido? É a única parte por que eu sempre quis passar de verdade. — Por mais embaraçoso que aquilo pudesse parecer, era a verdade.
— Mas todo mundo faz isso — reclamou Blanda. — Não é nem original.
Deveria ter ficado com raiva depois dessa provocação, mas dei de ombros:
— Quero ter certeza de que meu pai aprova totalmente a minha escolha no único momento realmente importante da minha vida.
— Que bonito — comentou Natalie enquanto bebia chá e olhava pela janela.
A rainha Denise soltou uma leve risada:
— Tenho certeza de que aprovará. Não importa quem seja.
Essa última frase foi dita repentinamente, como se a rainha tivesse percebido no meio da fala a sua sugestão de que Joseph seria o escolhido. Fiquei pensando se ela achava isso, se Joseph contara a ela sobre nós. Logo depois, o assunto do casamento morreu, e a rainha nos deixou para ir trabalhar em seu quarto. Blanda estacionou em frente àquele televisor enorme e as outras garotas começaram a jogar cartas.
— Foi divertido — disse Miley, enquanto nos sentávamos à mesa. — Acho que nunca tinha visto a rainha falar tanto. — Ela está começando a se empolgar, acho. — Eu não tinha comentado com ninguém o que a irmã da rainha Denise me dissera sobre as muitas tentativas frustradas da rainha de ter outro filho. Adele tinha previsto que a irmã seria mais carinhosa conosco assim que o grupo diminuísse, e acertou. — O.k., você tem que me contar: você não tem mesmo nenhum outro plano para o seu casamento ou apenas não queria revelar?
— Não tenho mesmo — assegurei. — É difícil para mim planejar um casamento tão grande, sabe? Sou uma Cinco.
Miley balançou a cabeça.
— Você era uma Cinco. Agora é Três.
— Certo — concordei, lembrando do meu novo rótulo.
Nasci em uma família de Cincos — artistas e músicos que geralmente ganhavam mal — e, embora odiasse o sistema de castas, gostava do que fazia para ganhar a vida. Era estranho pensar em mim como uma Três, imaginar uma carreira de professora ou escritora.
— Chega de estresse — falou Miley, como se pudesse ler meus pensamentos. — Você não precisa se preocupar com isso ainda. Eu estava a ponto de contrariá-la, quando fui interrompida por um grito de Blanda.
— Vai! — berrou, batendo o controle remoto no sofá antes de apontá-lo para a TV de novo. — Argh!
— É impressão minha ou ela está piorando? — cochichei com Miley.
Observamos Blanda bater no controle remoto de novo e de novo até desistir e mudar de canal manualmente. Comecei a achar que, se eu tivesse nascido uma Dois, aí sim teria com que me preocupar.
— Acho que é estresse — Miley comentou. — Você notou como Natalie tem estado, sei lá... mais distante?
Fiz que sim com a cabeça, e olhamos para as três meninas jogando cartas. Selena sorria ao embaralhar as cartas, enquanto Natalie examinava as pontas de seu cabelo e de vez em quando arrancava um fio. Ela tinha um ar distraído.
— Acho que todas nós estamos sentindo isso — confessei. — Ficou mais difícil relaxar e curtir o palácio agora que o grupo é tão pequeno. Blanda resmungou algo e nos viramos para olhá-la, mas logo voltamos à posição inicial quando ela nos pegou espiando.
— Licença — disse Miley, mudando de lugar. — Acho que vou ao banheiro.
— Pensei na mesma coisa. Vamos juntas? — propus. Com um sorriso, ela balançou a cabeça para negar. — Vai na frente. Vou terminar o chá primeiro.
— Tudo bem. Já volto.
Saí do Salão das Mulheres, caminhando devagar por aquele corredor magnífico. Eu duvidava que algum dia chegaria a me acostumar com o espetáculo que era aquele castelo. Estava tão distraída que, ao dobrar uma esquina, trombei com um guarda.
— Ops! — exclamei.
— Perdão, senhorita. Espero não tê-la assustado.
Ele me segurou pelos cotovelos para que eu recuperasse o equilíbrio.
— Não — afirmei, rindo.
— Está tudo bem. Eu devia olhar melhor por onde ando. Obrigada por me segurar, soldado...
— Woodwork — completou, fazendo uma breve reverência com a cabeça.
— Eu sou Demetria.
— Eu sei.
Sorri e suspirei. É claro que ele sabia.
— Bom, espero que da próxima vez que nos trombarmos seja apenas no sentido figurado — brinquei.
— Positivo. Tenha um bom dia, senhorita — ele respondeu.
— Você também.
Voltei e contei a Miley sobre a minha trombada vergonhosa com o soldado Woodwork. Avisei a ela para olhar por onde anda. Ela soltou uma gargalhada. Passamos o resto da tarde sentadas perto das janelas, conversando sobre as nossas casas e as outras garotas e bebendo chá sob a luz do sol. Era triste pensar no futuro. Cedo ou tarde, a Seleção chegaria ao fim, e embora eu soubesse que Miley e eu continuaríamos próximas, sentiria falta de conversar com ela todos os dias. Ela foi a primeira amiga de verdade que fiz na vida e gostaria de tê-la sempre ao meu lado.
Enquanto eu tentava curtir aquele momento, Miley olhava pela janela com um ar sonhador. Tentei imaginar no que ela estaria pensando, mas estava tudo tão sereno que não quis perguntar.
Hello Sweethearts! Como estão?
Seis comentários no ultimo capitulo? Já falei como vocês são incriveis?
Perceberam que apareceu um personagem novo? O Soldado Woodwork? Duvido vocês adivinharem qual é o primeiro nome dele...
04/02/2014
Capitulo 1
A atmosfera de Angeles estava tranquila. Permaneci imóvel por uns instantes, ouvindo o som da respiração de Joseph. Estava cada vez mais difícil encontrá-lo em um momento calmo e feliz de verdade. Aproveitei aquela ocasião ao máximo, agradecendo por ele estar, aparentemente, em sua melhor forma enquanto estávamos a sós.
Desde que a Seleção conta com só seis garotas, ele tem estado mais ansioso que no começo, quando as trinta e cinco chegaram de uma vez. Imaginei que talvez ele tivesse pensado que teria mais tempo para fazer suas escolhas. E devo reconhecer, apesar de me sentir culpada, que era por minha causa que ele tinha esse desejo.
Príncipe Joseph, herdeiro do trono de Illéa, gostava de mim. Ele me falou na semana passada que se eu dissesse, sem nenhuma ressalva, que me importava com ele assim como ele se preocupava comigo, toda essa história de competição estaria acabada. Eu até considerava essa ideia, ficava imaginando como seria pertencer a Joseph.
Mas o problema é: Joseph não me pertencia, para começo de conversa. Havia mais outras cinco meninas comigo — meninas com quem ele saía e cochichava coisas —, e eu não sabia o que pensar disso. E também havia o fato de que aceitar Joseph significava ter que aceitar uma coroa, uma ideia que eu tendia a ignorar, até por não saber ao certo como isso me afetaria...
E, claro, havia Nicholas.
Tecnicamente, ele não era mais o meu namorado — terminou comigo antes de o meu nome ser sorteado para a Seleção —, mas quando surgiu no palácio como um dos guardas, todos os sentimentos que eu tinha tentado deixar para trás encheram meu coração. Nicholas era meu primeiro amor. Bastava olhar para ele para saber... que eu era dele.
Joseph não sabia que Nicholas estava no palácio, mas sabia bem que havia alguém da minha província que eu desejava esquecer, e estava, muito gentilmente, dando-me tempo para superar a situação enquanto tentava encontrar outra pessoa
com quem ele pudesse ser feliz, caso eu nunca fosse capaz de amá-lo.
com quem ele pudesse ser feliz, caso eu nunca fosse capaz de amá-lo.
Conforme ele mexia a cabeça devagar, respirando sobre meus cabelos, eu pensava: como seria se eu simplesmente amasse Joseph?
— Sabe quando foi a última vez que olhei de verdade para as estrelas? — perguntou ele.
Estávamos deitados sobre uma toalha no jardim. Aconcheguei-me mais para o lado dele, tentando me manter aquecida naquela noite fria de Angeles.
— Não faço ideia.
— Um tutor me fez estudar astronomia há alguns anos. Quando vemos as estrelas mais de perto, percebemos que na verdade elas têm cores diferentes.
— Calma lá. A última vez que você olhou para as estrelas foi para estudá-las? E a diversão?
Joseph riu.
— Diversão. Vou ter que espremê-la entre as votações do orçamento e as reuniões do comitê de infraestrutura. Ah, e a definição das estratégias militares, no que, aliás, eu sou péssimo.
— E no que mais você é péssimo? — perguntei, passando a mão em sua camisa engomada.
Meu carinho encorajou Joseph a mudar de posição e fazer pequenos círculos em meu ombro.
— Por que quer saber isso? — perguntou, fingindo irritação.
— Porque ainda sei tão pouco sobre você. E você parece ser perfeito em tudo. É bom ter uma prova do contrário.
Ele se apoiou sobre um cotovelo e fixou os olhos no meu rosto:
— Você sabe que não sou.
— Mas está quase lá — respondi.
Nossos corpos se tocavam de leve. Joelhos, braços, dedos. Joseph balançou a cabeça com um sorriso nos lábios.
— O.k., o.k. Não consigo planejar guerras. Sou péssimo nisso. E acho que seria um cozinheiro horrível. Nunca cozinhei, logo...
— Nunca?
— Talvez você já tenha notado a multidão de pessoas que trabalham para manter a sua barriga cheia de bolos e doces... Por acaso, são eles que me alimentam também.
Achei graça. Em casa, eu ajudava a preparar praticamente todas as refeições.
— Mais — pedi. — No que mais você é ruim?
Ele me abraçou forte, e pude ver um segredo brilhar em seus olhos castanhos.
— Descobri uma coisa recentemente...
— Conte.
— Descobri que sou um completo fracasso em ficar longe de você. Um problema muito grave.
Sorri.
— Você já tentou?
Joseph fingiu pensar.
— Bem, não. E não espere que eu vá começar.
Rimos baixo, abraçados. Era tão fácil, nesses momentos, me imaginar assim pelo resto da vida.
O farfalhar das folhas e da grama anunciava a chegada de alguém. Embora nossa situação fosse completamente aceitável, fiquei um pouco encabulada e me sentei rapidamente. Joseph fez o mesmo assim que o guarda contornou a cerca para chegar até nós.
— Alteza — disse, inclinando a cabeça. — Perdão pela intromissão, senhor, mas é imprudente permanecer do lado de fora por muito tempo a essa hora da noite. Os rebeldes podem...
— Compreendo — concordou Joseph, com um suspiro. — Já entraremos.
— Compreendo — concordou Joseph, com um suspiro. — Já entraremos.
O guarda nos deixou, e Joseph virou-se para mim.
— Outro defeito meu: estou perdendo a paciência com os rebeldes. Estou cansado de lidar com eles.
Joseph se levantou e me ofereceu a mão. Segurei a mão dele e reparei na frustração em seus olhos. Passamos por dois ataques de rebeldes desde o começo da Seleção: um dos nortistas, que eram apenas baderneiros, e outro dos sulistas, que eram assassinos. Mesmo com minha experiência mínima, eu podia compreender seu cansaço.
Joseph recolheu a toalha e começou a sacudi-la. Era claro que ele não estava feliz com aquele fim antecipado da noite.
— Ei — eu disse, fazendo-o olhar em meus olhos. — Eu me diverti. Ele concordou com a cabeça.
— É sério — continuei, me aproximando. Ele segurou a toalha com uma das mãos e passou o braço livre em volta da minha cintura. — Devíamos fazer isso outras vezes. Você podia me dizer quais são as cores de cada estrela, porque eu realmente não consigo ver diferença de uma para outra.
Joseph sorriu, triste.
— Gostaria que as coisas fossem mais fáceis às vezes. Normais.
Virei para ele e o abracei. Joseph soltou a toalha e retribuiu o gesto.
— Odeio ter que lhe revelar isso, Alteza, mas mesmo sem os guardas você está bem longe de ser normal.
Sua expressão ficou mais relaxada, mas ainda séria.
— Você iria gostar mais de mim se eu fosse normal — falou.
— Sei que é difícil para você acreditar, mas eu realmente gosto de você do jeito que você é. Só preciso de mais...
— Tempo. Eu sei. E estou pronto para dar o tempo necessário a você. Só gostaria de ter certeza de que você vai mesmo querer estar ao meu lado quando esse tempo acabar.
Desviei o olhar. Aquilo eu não podia prometer. Toda hora, eu olhava para o meu coração e comparava Joseph e Nicholas, mas nenhum deles se sobressaía. A não ser, talvez, quando eu estava sozinha com um deles. Neste exato momento, por exemplo, eu estava tentada a prometer a Joseph que ficaria a seu lado no final.
Mas eu não podia.
— Joseph — sussurrei, após notar que ele estava se sentindo rejeitado por eu não ter respondido. — Não posso dizer isso. Mas o que posso dizer é que quero estar com você. Quero saber se há possibilidade de... de... — gaguejei, sem saber ao certo como me expressar.
— Nós? — Joseph sugeriu.
Sorri, feliz por ver como tinha sido fácil para ele me entender.
— Sim — prossegui.
— Quero saber se há a possibilidade de existir um “nós”.
Ele ajeitou meus cabelos para trás dos ombros
— Penso que as chances são bem altas — afirmou, sem rodeios.
— Também penso. Só... tempo, tudo bem?
Joseph fez que sim com a cabeça. Parecia mais feliz. Era assim que eu queria terminar nossa noite, com esperança. Bem, talvez com algo mais. Mordi os lábios e me virei para ele com olhos desejosos.
Sem hesitar nem um segundo, ele se inclinou e me beijou. Foi um beijo terno e suave, que me deixou com a sensação de ser adorada, e com vontade de outro. Eu poderia ter ficado ali por horas, só para ver se conseguia aplacar aquela sensação, mas Joseph recuou cedo demais.
— Vamos — disse ele em tom de brincadeira, enquanto me puxava para o palácio. — Melhor entrar antes de os guardas virem atrás de nós com cavalos e lanças.
Assim que Joseph me deixou nas escadas, o cansaço tomou conta de mim. Eu praticamente me arrastava até o segundo andar e ao canto onde estava meu quarto quando, de repente, fiquei totalmente desperta de novo.
— Ah! — disse Nicholas, também surpreso em me ver. — O fato de eu ter pensado que você estava no seu quarto esse tempo todo provavelmente faz de mim o pior guarda do mundo.
Sorri.
As garotas da Elite eram obrigadas a dormir com pelo menos uma de suas criadas no quarto. Eu não gostava muito da ideia, de modo que Joseph insistiu em manter um guarda de vigia à minha porta para o caso de uma emergência. O problema era que, na maioria das vezes, esse guarda era Nicholas. Saber que quase todas as noites ele estaria bem ali na minha porta me dava uma sensação estranha de alegria misturada com terror.
Aquela tranquilidade momentânea logo desvaneceu quando Nicholas se deu conta de por que eu não estava sã e salva enrolada nos cobertores. Ele limpou a garganta, tenso:
— Vocês se divertiram?
— Nicholas — cochichei, olhando em volta para ter certeza de que ninguém estava perto —, não fique bravo. Faço parte da Seleção e as coisas são assim.
— E como eu vou ter chance desse jeito, Demi? Como posso competir com ele se você raramente fala com os guardas como eu?
Fazia sentido, mas o que eu podia fazer?
— Por favor, não se irrite comigo, Nicholas. Estou tentando resolver tudo isso.
— Não, Demi — ele disse, retomando a voz terna de antes. — Não estou irritado com você. Eu tenho saudade de você.
Ele não ousou pronunciar as palavras, mas seus lábios se mexeram: “eu te amo”.
Me derreti.
— Eu sei — respondi, pondo a mão em seu peito e me permitindo esquecer por um instante tudo o que estávamos arriscando ali. — Só que isso não muda o lugar onde estamos nem o fato de eu ser da Elite agora. Preciso de tempo, Nicholas. Ele ergueu a mão até a minha e assentiu com a cabeça.
— Isso eu posso dar. Só... tente encontrar um tempo para mim também.
Eu não queria começar a explicar como isso seria difícil. Apenas abri um sorrisinho antes de recolher a mão.
— Preciso ir.
Ele me observou caminhar até o quarto e fechar a porta.
Tempo. Eu vinha pedindo muito tempo ultimamente. Tinha a esperança de que, se tivesse tempo suficiente, tudo ia se resolver.
03/02/2014
Sinopse da 2ª Temporada - A Elite + Resposta para Mariane
Não se sentia capaz de ser princesa
Não queria abandonar Nicholas
Não sabia o que fazer
A Seleção começou com 35 garotas. Agora, restam apenas seis e a competição para ganhar o coração do príncipe Joseph está acirrada como nunca. Quanto mais Demetria se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Joseph parecem conto de fadas. Mas sempre que vê seu ex-namorado Nicholas no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está o seu conforto. Demetria precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer-e ela está prestes a perder sua chance de escolher.
Hey Selecionadas, Príncipes e Guardas!
A linda da Mari me perguntou qual é o nome da musica que toca quando o blog é aberto, então eu vou responder.
A musica se chama All About Us e quem canta e a banda He Is We juntamente com o Owl City. Essa musica é perfeita para essa temporada no que se trata da Demetria e do Joseph.
De repente, eu me sinto corajoso
Não sei o que deu em mim
Por que me sinto assim
Podemos dançar devagar?
Posso te segurar
Posso te segurar pertinho de mim?
O ambiente está em silêncio
E agora é o nosso momento
Entre no clima, sinta e fique firme
Olhos em você, olhos em mim
Estamos indo certo
Pois amantes dançam quando estão apaixonados
Holofote brilhando, somos só nós
Somos oh, oh, oh, oh, só nós uh, uh, uh, uh, nós
E todo coração no lugar vai derreter
Essa é uma sensação que eu nunca tive, mas
Somos oh, oh, oh, oh, só nós
Para quem se interessa, o nome da musica do player antigo é Starlight da Taylor Swift.
Bem, é só isso.
Próximo post é o primeiro capitulo de A Elite. Isso é uma promessa.
02/02/2014
Nova temporada, novo Lay ^.^ + Mega Divulgação
Eu voltei Queridas (e Queridos)!
A Elite chegou mas antes de começar, eu coloquei um novo lay para marcar a nova fase na história. O que acharam dele? A opinião de vocês é muito importante.
E antes do primeiro capitulo, eu vou fazer um post contendo uma mega divulgação então se vocês quiserem participar, basta comentar seu blog nesse post que ele estará na lista!
Bem, é só isso! amanhã, vocês terão a sinopse.
Senti saudade de vocês!
A Elite chegou mas antes de começar, eu coloquei um novo lay para marcar a nova fase na história. O que acharam dele? A opinião de vocês é muito importante.
E antes do primeiro capitulo, eu vou fazer um post contendo uma mega divulgação então se vocês quiserem participar, basta comentar seu blog nesse post que ele estará na lista!
Bem, é só isso! amanhã, vocês terão a sinopse.
Senti saudade de vocês!
20/01/2014
The Elite está chegando mas antes um pequeno Hiatus!
Provavelmente ao ler o titulo desse post, um pedaço do seu coração foi arrancado...
Mas fiquem calmas queridas Selecionadas! Dia 1º de Fevereiro a Sinopse de The Elite ( AElite para os leigos) estará aqui no blog.
Alias eu só não começo ela agora pois estou viajando com a minha família e só volto no fim de janeiro.
Então Queridas....
Mas fiquem calmas queridas Selecionadas! Dia 1º de Fevereiro a Sinopse de The Elite ( AElite para os leigos) estará aqui no blog.
Alias eu só não começo ela agora pois estou viajando com a minha família e só volto no fim de janeiro.
Então Queridas....
14/01/2014
Capitulo 24 (Último)
Senti um cutucão no braço. Estava escuro; era muito tarde ou muito cedo. Por uma fração de segundo, pensei que outro ataque tinha começado. Então descobri que estava errada por causa da única palavra usada para me despertar:
— Demi?
Estava de costas para Nicholas, e demorei um pouco para me ajeitar e me virar para ele. Em minha cabeça, sabia que existiam coisas entre nós que eu finalmente devia acertar. Esperava que meu coração me deixasse dizê-las. Rolei na cama e deparei com os olhos verdes e brilhantes dele. Então, soube que ia ser difícil. Foi quando notei que deixara a porta do meu quarto aberta.
— Nicholas, você está louco? — sussurrei. — Feche a porta.
— Não, está tudo certo. Com a porta aberta, posso dizer a quem chegar que ouvi um barulho e vim ver como você estava, já que isso é parte do meu trabalho. Ninguém vai suspeitar de nada.
Simples e brilhante. Acho que às vezes a melhor maneira de esconder um segredo é deixá-lo descoberto.
— Certo.
Acendi o pequeno abajur no criado-mudo para deixar claro a qualquer pessoa que passasse que não estávamos escondendo nada. Olhei para o relógio: já passava das três da manhã.
Nicholas estava claramente satisfeito consigo próprio. Seu sorriso, o mesmo que me cumprimentava na casa da árvore, era largo.
— Você guardou — ele disse.
— Hein?
Nicholas apontou para o criado-mudo onde ficava o jarro, com sua moeda solitária.
— Sim — confirmei. — Não tive forças para me livrar dele.
Sua expressão ficou mais esperançosa. Ele olhou a porta rapidamente, como que para verificar se ninguém passaria, e se inclinou para me dar um beijo.
— Não — afastei-me sem agitação. — Você não pode fazer isso.
Seu olhar era um misto de confusão e tristeza, e temi que tudo o que tinha a dizer só fosse piorar as coisas.
— Fiz algo de errado?
— Não — respondi no ato. — Você tem sido maravilhoso. Estou tão feliz de ver você novamente e saber que ainda me ama. Fez toda a diferença.
Ele sorriu.
— Que bom, porque eu realmente te amo e penso em nunca dar nenhum motivo para você duvidar disso.
Estremeci.
— Nicholas, não importa o que fomos ou o que somos agora. Não podemos ser nada aqui.
— O que você quer dizer? — ele perguntou, ajeitando-se na cama.
— Faço parte da Seleção. Estou aqui por Joseph, e não posso me encontrar com você nem com ninguém enquanto a competição continuar.
Comecei a torcer nervosamente uma ponta da minha manta. Nicholas pensou calado por uns instantes.
— Então você mentiu para mim quando disse que nunca deixou de me amar?
— Não — garanti. — Você está no meu coração o tempo todo. É o motivo porque tudo está caminhando devagar. Joseph gosta de mim, mas não consigo gostar dele de verdade por sua causa.
— Nossa, que ótimo — ele disse com sarcasmo. — Fico feliz em saber que você estaria contente em ficar com ele se eu não estivesse perto.
Por trás da raiva, pude ver seu coração partido, mas não era culpa minha as coisas terem chegado a esse ponto.
— Nicholas — chamei em voz baixa, fazendo-o olhar para mim. — Ao terminar comigo na casa da árvore, você me deixou em pedaços.
— Demi, eu já disse que...
— Me deixe terminar.
Ele bufou de raiva e depois ficou quieto.
— Você levou meus sonhos com você, e o único motivo de eu estar aqui é que você insistiu que eu fizesse a inscrição.
Ele concordou com a cabeça, irritado com a verdade.
— Desde então, tenho tentado juntar os cacos. E Joseph realmente se importa comigo. Você significa muito para mim, e sabe disso. Mas estou na competição agora e seria uma tonta se não visse onde vai dar.
— Então você está escolhendo o príncipe? — ele perguntou com dor na voz.
— Não. Não estou escolhendo Joseph ou você. Estou escolhendo a mim mesma.
Essa era a verdade, no fim das contas. Ainda não sabia o que queria, mas não podia me deixar levar pelo mais fácil ou por aquilo que os outros achavam certo. Só precisava de um tempo até decidir o que era melhor para mim. Nicholas ruminou minhas palavras por um momento, ainda inconformado com o que eu dizia. Por fim, sorriu.
— Você sabe que não vou desistir, não sabe?
Seu tom de voz deixava claro o desafio, e eu forcei um riso, apesar da situação. Nicholas, de fato, não era daqueles que aceitam a derrota.
— Aqui não é o melhor lugar para você lutar por mim. Sua determinação pode ser uma qualidade perigosa.
— Não tenho medo da coroa — ele zombou.
Fiz cara de tédio, um pouco surpresa por estar na ponta oposta do relacionamento. Vivia preocupada com a possibilidade de alguém roubar Nicholas de mim. Senti-me culpada por gostar de vê-lo preocupado com a possibilidade de alguém me roubar, para variar.
— Certo. Você disse que não o amava... mas pelo menos gosta dele o bastante para querer ficar, certo?
Abaixei a cabeça.
— Sim — respondi, inclinando-me. — Ele está muito acima do que pensei.
Nicholas considerou minhas palavras por alguns segundos, absorvendo cada uma delas.
— Isso quer dizer que terei que lutar mais duro do que imaginava — ele disse, caminhando em direção à porta.
Antes de fechá-la, piscou mais uma vez para mim.
— Boa noite, senhorita Demetria.
— Boa noite, soldado Leger.
Ouvi a porta se fechar, e a paz invadiu o quarto. Desde o começo da Seleção, vinha pensando que minha vida seria arruinada ali. Mas, naquele momento, o castelo parecia exatamente o lugar em que eu deveria estar.
Mais cedo do que eu gostaria, minhas criadas entraram no quarto e me despertaram para um novo dia. Anne puxou as cortinas e assim, iluminada pelos raios do sol, sentia que aquele era realmente meu primeiro dia no palácio. A Seleção não era mais uma coisa que me acontecia; eu era parte ativa dela. Era da Elite. Afastei os cobertores e saltei naquela manhã.
— Demi?
Estava de costas para Nicholas, e demorei um pouco para me ajeitar e me virar para ele. Em minha cabeça, sabia que existiam coisas entre nós que eu finalmente devia acertar. Esperava que meu coração me deixasse dizê-las. Rolei na cama e deparei com os olhos verdes e brilhantes dele. Então, soube que ia ser difícil. Foi quando notei que deixara a porta do meu quarto aberta.
— Nicholas, você está louco? — sussurrei. — Feche a porta.
— Não, está tudo certo. Com a porta aberta, posso dizer a quem chegar que ouvi um barulho e vim ver como você estava, já que isso é parte do meu trabalho. Ninguém vai suspeitar de nada.
Simples e brilhante. Acho que às vezes a melhor maneira de esconder um segredo é deixá-lo descoberto.
— Certo.
Acendi o pequeno abajur no criado-mudo para deixar claro a qualquer pessoa que passasse que não estávamos escondendo nada. Olhei para o relógio: já passava das três da manhã.
Nicholas estava claramente satisfeito consigo próprio. Seu sorriso, o mesmo que me cumprimentava na casa da árvore, era largo.
— Você guardou — ele disse.
— Hein?
Nicholas apontou para o criado-mudo onde ficava o jarro, com sua moeda solitária.
— Sim — confirmei. — Não tive forças para me livrar dele.
Sua expressão ficou mais esperançosa. Ele olhou a porta rapidamente, como que para verificar se ninguém passaria, e se inclinou para me dar um beijo.
— Não — afastei-me sem agitação. — Você não pode fazer isso.
Seu olhar era um misto de confusão e tristeza, e temi que tudo o que tinha a dizer só fosse piorar as coisas.
— Fiz algo de errado?
— Não — respondi no ato. — Você tem sido maravilhoso. Estou tão feliz de ver você novamente e saber que ainda me ama. Fez toda a diferença.
Ele sorriu.
— Que bom, porque eu realmente te amo e penso em nunca dar nenhum motivo para você duvidar disso.
Estremeci.
— Nicholas, não importa o que fomos ou o que somos agora. Não podemos ser nada aqui.
— O que você quer dizer? — ele perguntou, ajeitando-se na cama.
— Faço parte da Seleção. Estou aqui por Joseph, e não posso me encontrar com você nem com ninguém enquanto a competição continuar.
Comecei a torcer nervosamente uma ponta da minha manta. Nicholas pensou calado por uns instantes.
— Então você mentiu para mim quando disse que nunca deixou de me amar?
— Não — garanti. — Você está no meu coração o tempo todo. É o motivo porque tudo está caminhando devagar. Joseph gosta de mim, mas não consigo gostar dele de verdade por sua causa.
— Nossa, que ótimo — ele disse com sarcasmo. — Fico feliz em saber que você estaria contente em ficar com ele se eu não estivesse perto.
Por trás da raiva, pude ver seu coração partido, mas não era culpa minha as coisas terem chegado a esse ponto.
— Nicholas — chamei em voz baixa, fazendo-o olhar para mim. — Ao terminar comigo na casa da árvore, você me deixou em pedaços.
— Demi, eu já disse que...
— Me deixe terminar.
Ele bufou de raiva e depois ficou quieto.
— Você levou meus sonhos com você, e o único motivo de eu estar aqui é que você insistiu que eu fizesse a inscrição.
Ele concordou com a cabeça, irritado com a verdade.
— Desde então, tenho tentado juntar os cacos. E Joseph realmente se importa comigo. Você significa muito para mim, e sabe disso. Mas estou na competição agora e seria uma tonta se não visse onde vai dar.
— Então você está escolhendo o príncipe? — ele perguntou com dor na voz.
— Não. Não estou escolhendo Joseph ou você. Estou escolhendo a mim mesma.
Essa era a verdade, no fim das contas. Ainda não sabia o que queria, mas não podia me deixar levar pelo mais fácil ou por aquilo que os outros achavam certo. Só precisava de um tempo até decidir o que era melhor para mim. Nicholas ruminou minhas palavras por um momento, ainda inconformado com o que eu dizia. Por fim, sorriu.
— Você sabe que não vou desistir, não sabe?
Seu tom de voz deixava claro o desafio, e eu forcei um riso, apesar da situação. Nicholas, de fato, não era daqueles que aceitam a derrota.
— Aqui não é o melhor lugar para você lutar por mim. Sua determinação pode ser uma qualidade perigosa.
— Não tenho medo da coroa — ele zombou.
Fiz cara de tédio, um pouco surpresa por estar na ponta oposta do relacionamento. Vivia preocupada com a possibilidade de alguém roubar Nicholas de mim. Senti-me culpada por gostar de vê-lo preocupado com a possibilidade de alguém me roubar, para variar.
— Certo. Você disse que não o amava... mas pelo menos gosta dele o bastante para querer ficar, certo?
Abaixei a cabeça.
— Sim — respondi, inclinando-me. — Ele está muito acima do que pensei.
Nicholas considerou minhas palavras por alguns segundos, absorvendo cada uma delas.
— Isso quer dizer que terei que lutar mais duro do que imaginava — ele disse, caminhando em direção à porta.
Antes de fechá-la, piscou mais uma vez para mim.
— Boa noite, senhorita Demetria.
— Boa noite, soldado Leger.
Ouvi a porta se fechar, e a paz invadiu o quarto. Desde o começo da Seleção, vinha pensando que minha vida seria arruinada ali. Mas, naquele momento, o castelo parecia exatamente o lugar em que eu deveria estar.
Mais cedo do que eu gostaria, minhas criadas entraram no quarto e me despertaram para um novo dia. Anne puxou as cortinas e assim, iluminada pelos raios do sol, sentia que aquele era realmente meu primeiro dia no palácio. A Seleção não era mais uma coisa que me acontecia; eu era parte ativa dela. Era da Elite. Afastei os cobertores e saltei naquela manhã.
FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA
13/01/2014
Capitulo 23 (Penúltimo)
Amy, Fiona e Tallulah foram embora dali a horas. Eu não sabia dizer se por causa da eficiência de Silvia ou do estado de nervos das garotas. De repente éramos dezenove, e tudo pareceu progredir muito rapidamente. Ainda assim, eu jamais poderia ter previsto a velocidade com que as coisas iam se mover dali para a frente.
Na segunda-feira depois dos ataques, retomamos nossa rotina. O café da manhã estava delicioso como sempre e fiquei imaginando se chegaria o dia em que deixaria de gostar daquelas refeições espetaculares.
— Selena, isso não é divino? — perguntei.
Eu mordiscava uma fruta em formato de estrela. Nunca tinha visto nada igual antes de chegar ao palácio. Selena estava de boca cheia, mas concordou com a cabeça. Sentia um clima cálido de irmandade naquele dia. Após termos sobrevivido a um grave ataque rebelde juntas, parecia que os pequenos laços que nos uniam se tornaram indestrutíveis. Ao lado de Selena estava Emily, que me passou o mel. Perto de nós, Tiny me perguntava, com olhar admirado, onde eu tinha conseguido meu pingente de passarinho. O clima lembrava os jantares da minha família de uns anos atrás, antes de Kota se transformar em um babaca e de perdermos Kenna para o marido: cheio de gente, radiante e com muita conversa.
Dei-me conta na hora de que, como Joseph contara sobre sua mãe, eu manteria contato com essas meninas ao longo dos anos. Ia querer saber se
todas tinham se casado e mandaria cartões de Natal. Dali a uns vinte e poucos anos, se Joseph tivesse um filho, telefonaria para elas para saber quem eram suas favoritas na nova Seleção. Relembraríamos tudo por que passamos e riríamos daquilo como se tivesse sido uma aventura, não uma competição.
Por mais incrível que pudesse parecer, a única pessoa com aparência perturbada na sala de jantar era Joseph. Ele nem tinha tocado na comida. Em vez disso, corria os olhos pelas fileiras de garotas com a expressão de quem estava concentrado. De tempos em tempos, parava para pensar e parecia discutir consigo mesmo sobre alguma coisa. Depois continuava.
Quando chegou a vez da minha mesa, o príncipe me flagrou olhando para ele e abriu um sorriso fraco. Tirando o breve diálogo da noite do ataque, não conversávamos desde nossa discussão, e algumas coisas ainda precisavam ser ditas. Eu é que tinha que tomar a iniciativa. Com uma expressão que revelava tratar-se de um pedido, e não de uma exigência, mexi na minha orelha. Seu rosto permaneceu distante, mas ele também mexeu na dele.
Respirei aliviada e por acaso olhei para as portas daquela sala enorme. Como suspeitava, outro par de olhos estava fixo em mim. Tinha notado Nicholas ao entrar na sala de jantar, mas tentei não demonstrar. Era difícil ignorar alguém que eu amava.
O príncipe se levantou. Aquele movimento repentino fez a cadeira chiar com o atrito contra o chão. E esse barulho foi suficiente para atrair a atenção de todas. Ao ver todos aqueles rostos voltados em sua direção, Joseph pareceu querer sentar novamente, sem que ninguém percebesse. Sabendo que isso seria impossível, ele começou a falar:
— Senhoritas — saudou, fazendo uma breve reverência com a cabeça. Ele parecia sofrer demais. — Receio que após o ataque de ontem eu tenha sido obrigado a repensar profundamente o funcionamento da Seleção. Como sabem, três garotas pediram para sair ontem, e eu cedi. Não quero ninguém aqui contra sua vontade. Além disso, não me sinto confortável mantendo no palácio, sob a constante ameaça de risco de vida, pessoas com quem estou certo de que não terei futuro.
Pela sala, a confusão deu lugar à compreensão infeliz e inequívoca dos fatos.
— Ele não vai... — murmurou Tiny.
— Sim, ele vai — respondi.
— Embora me doa tomar essa atitude, conversei com minha família e com alguns conselheiros íntimos, e decidi proceder ao afunilamento da Seleção para a Elite. Contudo, em vez de dez, decidi dispensar todas vocês, com exceção de seis — afirmou Joseph, com um tom de voz bem formal.
— Seis? — perguntou Selena, impressionada.
— Isso não é justo — resmungou Tiny, já prestes a chorar.
Corri os olhos pela sala de jantar conforme o burburinho de reclamações crescia e diminuía. Blanda juntou coragem, como se fosse lutar por uma vaga. Bariel fechou os olhos e cruzou os dedos, talvez na expectativa de que aquela pose lhe angariasse alguma simpatia. Miley, que tinha admitido não querer nada com o príncipe, parecia muito tensa. Por que ela queria tanto ficar?
— Não quero estender o assunto além do necessário. Assim, apenas as seguintes moças permanecerão aqui: senhorita Miley, senhorita Selena...
Miley suspirou aliviada e levou a mão ao peito. Selena ensaiou uma dança feliz e contente na cadeira, olhando para as meninas ao redor esperando que estivéssemos felizes também. E eu estava até me dar conta de que duas das seis vagas já tinham sido preenchidas. Com uma discórdia entre Joseph e eu, será que ele me mandaria para casa?
Ao longo de todo esse tempo, eu tivera nas mãos o poder de decidir sobre minha saída. Naquele instante, percebi o quanto era importante para mim continuar.
— ... senhorita Natalie, senhorita Blanda... — continuou Joseph olhando para cada uma delas. Eu me contorci ao escutar o nome de Blanda. Ele não podia deixá-la ali e me mandar embora. Eu mal acreditava que ele não ia dispensá-la, aliás. Mas seria esse um sinal de que eu ia embora? Brigamos exatamente por causa da presença dela.
— ... senhorita Elise... — ele anunciou.
Toda a sala prendeu a respiração à espera do último nome. Dei-me conta de que Tiny e eu estávamos de mãos dadas.
— ... e senhorita Demetria.
Joseph olhou para mim e senti cada músculo do meu corpo relaxar. Tiny caiu em prantos na hora. E ela não estava sozinha: a lista de Joseph provocou muitos soluços.
— A todas as demais, meu sincero pedido de desculpas. Espero, contudo, que acreditem em mim quando digo que fiz isso para seu bem. Não quero alimentar suas esperanças nem arriscar suas vidas à toa. Se alguma das que estiverem de saída quiser falar comigo, estarei na biblioteca ao final do corredor. Podem me encontrar lá assim que terminarem de comer.
Joseph se retirou o mais rapidamente possível, sem correr. Observei-o até que passasse na frente de Nicholas, quando minha atenção se desviou. O rosto de Nicholas estava confuso, e eu sabia o motivo. Eu tinha dito que não amava Joseph, e por isso Nicholas entendeu que eu não significava nada para o príncipe. Se era assim, por que tinha ficado tão tensa para saber se ia sair ou ficar? E por que Joseph ia querer me deixar ali?
Nem bem passou um segundo e Emmica e Tuesday já estavam correndo atrás do príncipe, sem dúvida em busca de uma explicação. Algumas garotas choravam, claramente com o coração partido. E recaiu sobre as que ficavam a responsabilidade de confortá-las.
A situação era de uma bizarrice insuportável. Tiny acabou por soltar violentamente minhas mãos e correr para o quarto. Eu esperava que ela não ficasse com raiva de mim.
Todas deixaram a sala em poucos minutos, já sem fome. Eu mesma não demorei muito a sair; não era capaz de lidar com aquela torrente de emoções.
Passei por Nicholas, que sussurrou:
— Hoje à noite.
Concordei com a cabeça discretamente e segui meu caminho.
O restante da manhã foi esquisito. Nunca na vida tivera amigas de
quem sentira saudades. Todos os quartos ocupados no segundo andar estavam abertos, e as garotas corriam de um lado para o outro, trocando bilhetes e pegando endereços. À tarde, o palácio já era um lugar bem mais sério do que quando chegamos.
Não restou ninguém na parte do corredor onde eu ficava. Não se ouvia mais o som das criadas passando de um lado para o outro nem o do abrir e fechar das portas. Sentei-me à mesa para ler um livro enquanto as criadas tiravam o pó dos móveis. Perguntei-me se o palácio sempre tivera aquele clima de solidão. O vazio fez com que sentisse saudades da minha família.
De repente, ouvi batidas na porta. Anne correu para atender, com os olhos em mim para garantir que eu estava preparada. Assenti com a cabeça.
Quando Joseph entrou no quarto, pus-me de pé com um pulo.
— Senhoritas — ele disse, olhando para as criadas —, reencontramo-nos afinal.
Elas se curvaram e deram uma risadinha. Ele as cumprimentou e se voltou para mim. Até então eu não fazia ideia de como estava ansiosa para vê-lo. Estava em êxtase ali, ao lado da mesa.
— Me perdoem, por favor, mas preciso falar com a senhorita Demetria. Vocês nos dariam um momento?
Mais reverências e risadinhas, e Anne perguntou ao príncipe — com um tom de voz que dava a entender a adoração que tinha por ele — se podia lhe trazer algo. Joseph recusou, e as três saíram. As mãos dele estavam nos bolsos. Permanecemos em silêncio por uns instantes.
— Pensei que você não me deixaria ficar — admiti, por fim.
— Por quê? — ele perguntou, soando realmente confuso.
— Porque brigamos. Porque nossa relação é esquisita. Porque...
E porque apesar de você estar saindo com outras cinco garotas, acho que estou te traindo, pensei.
Joseph diminuiu a distância entre nós aos poucos, escolhendo as palavras conforme caminhava. Quando finalmente chegou até mim, tomou minhas mãos e explicou tudo:
— Primeiramente, deixe-me dizer que sinto muito. Eu não devia ter gritado com você — seu tom de voz era totalmente sincero. — É que alguns dos comitês e meu pai já me pressionam, e quero ser capaz de tomar a decisão por mim mesmo. Foi muito frustrante deparar com outra situação em que minha opinião não é levada a sério.
— Outra situação? — perguntei.
— Bom, você viu minhas escolhas. Miley é a favorita do povo, e não posso desprezar isso. Celeste é uma jovem muito poderosa e vem de uma família com que seria ótimo me alinhar. Natalie e Selena são moças charmosas, ambas muito agradáveis, e as preferidas de alguns membros da minha família. Elise tem contatos na Nova Ásia. Como estamos tentando acabar com essa maldita guerra, devo tê-la em conta. Fui massacrado por opiniões e encurralado por todos os lados nesta decisão.
Ele não explicou nada sobre mim, e eu quase não pedi que explicasse. Sabíamos que no meu caso a amizade vinha em primeiro lugar e que eu não tinha nenhuma serventia política. Mas precisava ouvir essas palavras para decidir por mim mesma. Não podia olhá-lo nos olhos.
— E por que eu ainda estou aqui?
Minha voz saiu um pouco mais alta que um sussurro. Eu sabia que ia doer. No fundo, tinha certeza de que só estava ali por que Joseph era bom demais para quebrar uma promessa.
— Demetria, pensei ter sido claro — ele disse calmamente.
O príncipe respirou fundo para demonstrar sua paciência e levantou meu queixo com a mão. Quando finalmente o olhei nos olhos, ele confessou:
— Se o assunto fosse simples, já teria eliminado todas as outras. Sei o que sinto por você. Talvez seja impulsivo da minha parte ter tanta certeza, mas estou certo de que seria feliz com você.
Corei. Pude sentir as lágrimas brotarem, mas as contive. Seu rosto tinha uma expressão apaixonada que eu não queria perder.
— Há momentos em que penso que rompemos todas as barreiras. E há outros em que penso que você só fica pela conveniência. Se tivesse certeza de que eu, e apenas eu, sou sua motivação...
Ele fez uma pausa e balançou a cabeça, como se não quisesse chegar ao final da frase.
— Eu estaria errado se dissesse que você ainda não tem certeza sobre mim?
Eu não queria magoá-lo, mas tinha que ser honesta:
— Não.
— Então não posso arriscar muito em minha aposta. Você pode optar por sair, e deixarei se quiser. Enquanto isso, preciso escolher uma esposa. Estou tentando tomar a melhor decisão dentro dos limites que me foram dados. Agora, por favor, não duvide por um segundo de sua importância para mim. Porque é imensa.
Não pude mais conter as lágrimas. Pensei em Nicholas e nos meus atos. Senti-me tão envergonhada.
— Joseph... — solucei. — Será que um dia você vai me perdoar...
Não consegui terminar minha confissão. Ele se aproximou ainda mais e começou a limpar as lágrimas do meu rosto com seus dedos fortes.
— Perdoar o quê? Nossa briguinha besta? Já é passado. Seus sentimentos demoram mais para passar que os meus? Sem problema. Estou pronto para esperar — ele disse, dando de ombros. — Acho que não há nada que você possa fazer que eu não possa perdoar. Lembra-se da joelhada?
Não consegui segurar a risada. Joseph também riu, mas uma vez só. Depois, ficou sério de repente.
— O que foi? — perguntei.
Ele balançou a cabeça.
— Eles foram tão rápidos dessa vez.
A voz dele estava cheia de uma admiração raivosa pelos talentos dos rebeldes. Só então me dei conta de quão perto de uma tragédia estive por tentar salvar minhas criadas.
— Tenho ficado cada vez mais preocupado, Demetria. Nortistas e sulistas, os dois estão cada vez mais determinados. Parece que não vão parar até conseguirem o que desejam. E eu não faço ideia do que seja — Joseph parecia confuso e triste. — Penso que é só uma questão de tempo
até destruírem alguém importante para mim.
Ele me olhou nos olhos e prosseguiu.
— Sabe, você ainda pode escolher. Se tiver medo de ficar, pode dizer — ele fez uma pausa e pensou. — Ou se chegar à conclusão de que nunca vai me amar, seria melhor me contar já. Deixarei que siga seu caminho e seremos amigos.
Lancei meus braços ao seu redor e apoiei a cabeça em seu peito. Joseph pareceu ao mesmo tempo confortado e surpreso com o gesto. Ele demorou apenas um segundo para me envolver nos braços.
— Joseph, não tenho certeza do que somos, mas sem dúvida somos mais que amigos.
Ele deixou escapar um suspiro. Com a cabeça em seu peito, pude finalmente ouvir as batidas de seu coração através do paletó. Pareciam aceleradas. Sua mão, delicada como sempre, acariciava minha bochecha. Ao olhar nos seus olhos, percebi que um sentimento inominável crescia entre nós.
Com o olhar, Joseph me pedia algo que tínhamos concordado esperar. Estava feliz por ele não querer mais esperar. Inclinei levemente a cabeça em consentimento, e ele fechou o pequeno espaço entre nós me beijando com uma ternura inimaginável.
Senti um sorriso em seus lábios, um sorriso que durou por muito tempo depois.
Na segunda-feira depois dos ataques, retomamos nossa rotina. O café da manhã estava delicioso como sempre e fiquei imaginando se chegaria o dia em que deixaria de gostar daquelas refeições espetaculares.
— Selena, isso não é divino? — perguntei.
Eu mordiscava uma fruta em formato de estrela. Nunca tinha visto nada igual antes de chegar ao palácio. Selena estava de boca cheia, mas concordou com a cabeça. Sentia um clima cálido de irmandade naquele dia. Após termos sobrevivido a um grave ataque rebelde juntas, parecia que os pequenos laços que nos uniam se tornaram indestrutíveis. Ao lado de Selena estava Emily, que me passou o mel. Perto de nós, Tiny me perguntava, com olhar admirado, onde eu tinha conseguido meu pingente de passarinho. O clima lembrava os jantares da minha família de uns anos atrás, antes de Kota se transformar em um babaca e de perdermos Kenna para o marido: cheio de gente, radiante e com muita conversa.
Dei-me conta na hora de que, como Joseph contara sobre sua mãe, eu manteria contato com essas meninas ao longo dos anos. Ia querer saber se
todas tinham se casado e mandaria cartões de Natal. Dali a uns vinte e poucos anos, se Joseph tivesse um filho, telefonaria para elas para saber quem eram suas favoritas na nova Seleção. Relembraríamos tudo por que passamos e riríamos daquilo como se tivesse sido uma aventura, não uma competição.
Por mais incrível que pudesse parecer, a única pessoa com aparência perturbada na sala de jantar era Joseph. Ele nem tinha tocado na comida. Em vez disso, corria os olhos pelas fileiras de garotas com a expressão de quem estava concentrado. De tempos em tempos, parava para pensar e parecia discutir consigo mesmo sobre alguma coisa. Depois continuava.
Quando chegou a vez da minha mesa, o príncipe me flagrou olhando para ele e abriu um sorriso fraco. Tirando o breve diálogo da noite do ataque, não conversávamos desde nossa discussão, e algumas coisas ainda precisavam ser ditas. Eu é que tinha que tomar a iniciativa. Com uma expressão que revelava tratar-se de um pedido, e não de uma exigência, mexi na minha orelha. Seu rosto permaneceu distante, mas ele também mexeu na dele.
Respirei aliviada e por acaso olhei para as portas daquela sala enorme. Como suspeitava, outro par de olhos estava fixo em mim. Tinha notado Nicholas ao entrar na sala de jantar, mas tentei não demonstrar. Era difícil ignorar alguém que eu amava.
O príncipe se levantou. Aquele movimento repentino fez a cadeira chiar com o atrito contra o chão. E esse barulho foi suficiente para atrair a atenção de todas. Ao ver todos aqueles rostos voltados em sua direção, Joseph pareceu querer sentar novamente, sem que ninguém percebesse. Sabendo que isso seria impossível, ele começou a falar:
— Senhoritas — saudou, fazendo uma breve reverência com a cabeça. Ele parecia sofrer demais. — Receio que após o ataque de ontem eu tenha sido obrigado a repensar profundamente o funcionamento da Seleção. Como sabem, três garotas pediram para sair ontem, e eu cedi. Não quero ninguém aqui contra sua vontade. Além disso, não me sinto confortável mantendo no palácio, sob a constante ameaça de risco de vida, pessoas com quem estou certo de que não terei futuro.
Pela sala, a confusão deu lugar à compreensão infeliz e inequívoca dos fatos.
— Ele não vai... — murmurou Tiny.
— Sim, ele vai — respondi.
— Embora me doa tomar essa atitude, conversei com minha família e com alguns conselheiros íntimos, e decidi proceder ao afunilamento da Seleção para a Elite. Contudo, em vez de dez, decidi dispensar todas vocês, com exceção de seis — afirmou Joseph, com um tom de voz bem formal.
— Seis? — perguntou Selena, impressionada.
— Isso não é justo — resmungou Tiny, já prestes a chorar.
Corri os olhos pela sala de jantar conforme o burburinho de reclamações crescia e diminuía. Blanda juntou coragem, como se fosse lutar por uma vaga. Bariel fechou os olhos e cruzou os dedos, talvez na expectativa de que aquela pose lhe angariasse alguma simpatia. Miley, que tinha admitido não querer nada com o príncipe, parecia muito tensa. Por que ela queria tanto ficar?
— Não quero estender o assunto além do necessário. Assim, apenas as seguintes moças permanecerão aqui: senhorita Miley, senhorita Selena...
Miley suspirou aliviada e levou a mão ao peito. Selena ensaiou uma dança feliz e contente na cadeira, olhando para as meninas ao redor esperando que estivéssemos felizes também. E eu estava até me dar conta de que duas das seis vagas já tinham sido preenchidas. Com uma discórdia entre Joseph e eu, será que ele me mandaria para casa?
Ao longo de todo esse tempo, eu tivera nas mãos o poder de decidir sobre minha saída. Naquele instante, percebi o quanto era importante para mim continuar.
— ... senhorita Natalie, senhorita Blanda... — continuou Joseph olhando para cada uma delas. Eu me contorci ao escutar o nome de Blanda. Ele não podia deixá-la ali e me mandar embora. Eu mal acreditava que ele não ia dispensá-la, aliás. Mas seria esse um sinal de que eu ia embora? Brigamos exatamente por causa da presença dela.
— ... senhorita Elise... — ele anunciou.
Toda a sala prendeu a respiração à espera do último nome. Dei-me conta de que Tiny e eu estávamos de mãos dadas.
— ... e senhorita Demetria.
Joseph olhou para mim e senti cada músculo do meu corpo relaxar. Tiny caiu em prantos na hora. E ela não estava sozinha: a lista de Joseph provocou muitos soluços.
— A todas as demais, meu sincero pedido de desculpas. Espero, contudo, que acreditem em mim quando digo que fiz isso para seu bem. Não quero alimentar suas esperanças nem arriscar suas vidas à toa. Se alguma das que estiverem de saída quiser falar comigo, estarei na biblioteca ao final do corredor. Podem me encontrar lá assim que terminarem de comer.
Joseph se retirou o mais rapidamente possível, sem correr. Observei-o até que passasse na frente de Nicholas, quando minha atenção se desviou. O rosto de Nicholas estava confuso, e eu sabia o motivo. Eu tinha dito que não amava Joseph, e por isso Nicholas entendeu que eu não significava nada para o príncipe. Se era assim, por que tinha ficado tão tensa para saber se ia sair ou ficar? E por que Joseph ia querer me deixar ali?
Nem bem passou um segundo e Emmica e Tuesday já estavam correndo atrás do príncipe, sem dúvida em busca de uma explicação. Algumas garotas choravam, claramente com o coração partido. E recaiu sobre as que ficavam a responsabilidade de confortá-las.
A situação era de uma bizarrice insuportável. Tiny acabou por soltar violentamente minhas mãos e correr para o quarto. Eu esperava que ela não ficasse com raiva de mim.
Todas deixaram a sala em poucos minutos, já sem fome. Eu mesma não demorei muito a sair; não era capaz de lidar com aquela torrente de emoções.
Passei por Nicholas, que sussurrou:
— Hoje à noite.
Concordei com a cabeça discretamente e segui meu caminho.
O restante da manhã foi esquisito. Nunca na vida tivera amigas de
quem sentira saudades. Todos os quartos ocupados no segundo andar estavam abertos, e as garotas corriam de um lado para o outro, trocando bilhetes e pegando endereços. À tarde, o palácio já era um lugar bem mais sério do que quando chegamos.
Não restou ninguém na parte do corredor onde eu ficava. Não se ouvia mais o som das criadas passando de um lado para o outro nem o do abrir e fechar das portas. Sentei-me à mesa para ler um livro enquanto as criadas tiravam o pó dos móveis. Perguntei-me se o palácio sempre tivera aquele clima de solidão. O vazio fez com que sentisse saudades da minha família.
De repente, ouvi batidas na porta. Anne correu para atender, com os olhos em mim para garantir que eu estava preparada. Assenti com a cabeça.
Quando Joseph entrou no quarto, pus-me de pé com um pulo.
— Senhoritas — ele disse, olhando para as criadas —, reencontramo-nos afinal.
Elas se curvaram e deram uma risadinha. Ele as cumprimentou e se voltou para mim. Até então eu não fazia ideia de como estava ansiosa para vê-lo. Estava em êxtase ali, ao lado da mesa.
— Me perdoem, por favor, mas preciso falar com a senhorita Demetria. Vocês nos dariam um momento?
Mais reverências e risadinhas, e Anne perguntou ao príncipe — com um tom de voz que dava a entender a adoração que tinha por ele — se podia lhe trazer algo. Joseph recusou, e as três saíram. As mãos dele estavam nos bolsos. Permanecemos em silêncio por uns instantes.
— Pensei que você não me deixaria ficar — admiti, por fim.
— Por quê? — ele perguntou, soando realmente confuso.
— Porque brigamos. Porque nossa relação é esquisita. Porque...
E porque apesar de você estar saindo com outras cinco garotas, acho que estou te traindo, pensei.
Joseph diminuiu a distância entre nós aos poucos, escolhendo as palavras conforme caminhava. Quando finalmente chegou até mim, tomou minhas mãos e explicou tudo:
— Primeiramente, deixe-me dizer que sinto muito. Eu não devia ter gritado com você — seu tom de voz era totalmente sincero. — É que alguns dos comitês e meu pai já me pressionam, e quero ser capaz de tomar a decisão por mim mesmo. Foi muito frustrante deparar com outra situação em que minha opinião não é levada a sério.
— Outra situação? — perguntei.
— Bom, você viu minhas escolhas. Miley é a favorita do povo, e não posso desprezar isso. Celeste é uma jovem muito poderosa e vem de uma família com que seria ótimo me alinhar. Natalie e Selena são moças charmosas, ambas muito agradáveis, e as preferidas de alguns membros da minha família. Elise tem contatos na Nova Ásia. Como estamos tentando acabar com essa maldita guerra, devo tê-la em conta. Fui massacrado por opiniões e encurralado por todos os lados nesta decisão.
Ele não explicou nada sobre mim, e eu quase não pedi que explicasse. Sabíamos que no meu caso a amizade vinha em primeiro lugar e que eu não tinha nenhuma serventia política. Mas precisava ouvir essas palavras para decidir por mim mesma. Não podia olhá-lo nos olhos.
— E por que eu ainda estou aqui?
Minha voz saiu um pouco mais alta que um sussurro. Eu sabia que ia doer. No fundo, tinha certeza de que só estava ali por que Joseph era bom demais para quebrar uma promessa.
— Demetria, pensei ter sido claro — ele disse calmamente.
O príncipe respirou fundo para demonstrar sua paciência e levantou meu queixo com a mão. Quando finalmente o olhei nos olhos, ele confessou:
— Se o assunto fosse simples, já teria eliminado todas as outras. Sei o que sinto por você. Talvez seja impulsivo da minha parte ter tanta certeza, mas estou certo de que seria feliz com você.
Corei. Pude sentir as lágrimas brotarem, mas as contive. Seu rosto tinha uma expressão apaixonada que eu não queria perder.
— Há momentos em que penso que rompemos todas as barreiras. E há outros em que penso que você só fica pela conveniência. Se tivesse certeza de que eu, e apenas eu, sou sua motivação...
Ele fez uma pausa e balançou a cabeça, como se não quisesse chegar ao final da frase.
— Eu estaria errado se dissesse que você ainda não tem certeza sobre mim?
Eu não queria magoá-lo, mas tinha que ser honesta:
— Não.
— Então não posso arriscar muito em minha aposta. Você pode optar por sair, e deixarei se quiser. Enquanto isso, preciso escolher uma esposa. Estou tentando tomar a melhor decisão dentro dos limites que me foram dados. Agora, por favor, não duvide por um segundo de sua importância para mim. Porque é imensa.
Não pude mais conter as lágrimas. Pensei em Nicholas e nos meus atos. Senti-me tão envergonhada.
— Joseph... — solucei. — Será que um dia você vai me perdoar...
Não consegui terminar minha confissão. Ele se aproximou ainda mais e começou a limpar as lágrimas do meu rosto com seus dedos fortes.
— Perdoar o quê? Nossa briguinha besta? Já é passado. Seus sentimentos demoram mais para passar que os meus? Sem problema. Estou pronto para esperar — ele disse, dando de ombros. — Acho que não há nada que você possa fazer que eu não possa perdoar. Lembra-se da joelhada?
Não consegui segurar a risada. Joseph também riu, mas uma vez só. Depois, ficou sério de repente.
— O que foi? — perguntei.
Ele balançou a cabeça.
— Eles foram tão rápidos dessa vez.
A voz dele estava cheia de uma admiração raivosa pelos talentos dos rebeldes. Só então me dei conta de quão perto de uma tragédia estive por tentar salvar minhas criadas.
— Tenho ficado cada vez mais preocupado, Demetria. Nortistas e sulistas, os dois estão cada vez mais determinados. Parece que não vão parar até conseguirem o que desejam. E eu não faço ideia do que seja — Joseph parecia confuso e triste. — Penso que é só uma questão de tempo
até destruírem alguém importante para mim.
Ele me olhou nos olhos e prosseguiu.
— Sabe, você ainda pode escolher. Se tiver medo de ficar, pode dizer — ele fez uma pausa e pensou. — Ou se chegar à conclusão de que nunca vai me amar, seria melhor me contar já. Deixarei que siga seu caminho e seremos amigos.
Lancei meus braços ao seu redor e apoiei a cabeça em seu peito. Joseph pareceu ao mesmo tempo confortado e surpreso com o gesto. Ele demorou apenas um segundo para me envolver nos braços.
— Joseph, não tenho certeza do que somos, mas sem dúvida somos mais que amigos.
Ele deixou escapar um suspiro. Com a cabeça em seu peito, pude finalmente ouvir as batidas de seu coração através do paletó. Pareciam aceleradas. Sua mão, delicada como sempre, acariciava minha bochecha. Ao olhar nos seus olhos, percebi que um sentimento inominável crescia entre nós.
Com o olhar, Joseph me pedia algo que tínhamos concordado esperar. Estava feliz por ele não querer mais esperar. Inclinei levemente a cabeça em consentimento, e ele fechou o pequeno espaço entre nós me beijando com uma ternura inimaginável.
Senti um sorriso em seus lábios, um sorriso que durou por muito tempo depois.
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